Poucas técnicas fotográficas conseguem produzir imagens tão estranhas quanto a fotografia Kirlian. Mãos, folhas, moedas e outros objetos aparecem cercados por filamentos luminosos, formando halos coloridos que parecem revelar algo invisível ao redor da matéria.
Essa aparência ajudou a transformar a fotografia Kirlian em um dos temas mais fascinantes da fotografia experimental. Ao longo do século XX, as imagens foram associadas à chamada aura humana, à “energia vital” e até a possíveis diagnósticos de saúde.
Mas existe uma diferença importante entre o que a imagem mostra e a interpretação que fazemos dela.
A fotografia Kirlian registra um fenômeno físico conhecido como descarga de corona. O padrão luminoso produzido durante a descarga pode variar conforme fatores como umidade, condutividade, características da superfície, pressão de contato, tensão aplicada e condições do ambiente.
Por isso, uma fotografia Kirlian pode ser visualmente extraordinária sem necessariamente representar uma aura ou um campo energético invisível.
Neste artigo, vamos entender a origem da técnica, seu funcionamento, a famosa “folha fantasma”, a relação com a aura, o que a ciência descobriu e por que a fotografia Kirlian continua interessante para a fotografia experimental e artística.
O QUE VOCÊ VAI APRENDER NESTE ARTIGO:
- O que é fotografia Kirlian?
- Quem criou a fotografia Kirlian?
- Como funciona a fotografia Kirlian?
- Por que a fotografia Kirlian parece mostrar uma aura?
- Fotografia Kirlian fotografa a aura?
- O que influencia uma fotografia Kirlian?
- O que é o efeito da folha fantasma?
- Por que a “folha fantasma” é tão importante na história da fotografia Kirlian?
- Fotografia Kirlian e ciência: o que sabemos?
- A fotografia Kirlian pode diagnosticar doenças?
- A fotografia Kirlian é uma fotografia convencional?
- Qual é a diferença entre fotografia Kirlian e fotografia convencional?
- A fotografia Kirlian ainda é utilizada?
- Fotografia Kirlian como linguagem artística
- O que torna uma fotografia Kirlian visualmente interessante?
- Fotografia Kirlian é ciência, arte ou pseudociência?
- O verdadeiro interesse da fotografia Kirlian
- Fotografia Kirlian e fotografia experimental
- É seguro fazer fotografia Kirlian em casa?
- O que a fotografia Kirlian realmente registra?
- Mitos e confusões sobre fotografia Kirlian
- Perguntas frequentes sobre fotografia Kirlian
- O que é fotografia Kirlian?
- Quem inventou a fotografia Kirlian?
- Fotografia Kirlian fotografa a aura?
- Por que aparece um brilho ao redor dos objetos?
- Por que algumas fotografias Kirlian são coloridas?
- O que é a folha fantasma?
- A fotografia Kirlian ainda é usada?
- Posso fazer fotografia Kirlian com uma câmera comum?
- Conclusão

O que é fotografia Kirlian?
A fotografia Kirlian é uma técnica de eletrofotografia que registra visualmente descargas de corona produzidas quando um objeto é submetido a um campo elétrico de alta tensão.
Em vez de utilizar uma câmera convencional para registrar a luz refletida por uma cena, o processo utiliza uma configuração elétrica capaz de produzir uma descarga luminosa ao redor do objeto.
Essa descarga pode ser registrada por uma superfície fotossensível ou por sistemas digitais desenvolvidos posteriormente.
O resultado normalmente apresenta o contorno do objeto acompanhado por filamentos, pontos ou halos luminosos.
Esses padrões podem assumir diferentes formas e cores, especialmente quando são utilizadas emulsões fotográficas coloridas.
A aparência da imagem é impressionante, mas o mecanismo básico é físico: um campo elétrico suficientemente intenso provoca ionização do gás ao redor do objeto, produzindo uma descarga de corona luminosa.
Em outras palavras: a fotografia Kirlian não funciona como uma câmera que simplesmente fotografa uma “energia” invisível. Ela registra os efeitos luminosos produzidos por uma descarga elétrica.
Quem criou a fotografia Kirlian?
A técnica recebeu o nome de Semyon Kirlian, inventor e pesquisador soviético, e de sua esposa Valentina Kirlian, professora e jornalista.
O trabalho do casal começou a ganhar forma em 1939, em Krasnodar, então parte da União Soviética.
Semyon Kirlian trabalhava com equipamentos elétricos e teve contato com aparelhos de eletroterapia de alta frequência. Ao observar uma luminosidade produzida quando um eletrodo se aproximava da pele, surgiu a ideia de tentar registrar fotograficamente aquele fenômeno.
O fenômeno elétrico em si, porém, não foi inventado pelos Kirlian.
Experimentos envolvendo eletricidade, descargas e imagens eletrográficas já existiam muito antes de 1939. Pesquisadores como Georg Christoph Lichtenberg e Nikola Tesla haviam investigado fenômenos relacionados a descargas elétricas e registros eletrográficos.
O que tornou o trabalho dos Kirlian especialmente conhecido foi o desenvolvimento de uma técnica própria para registrar fotograficamente essas descargas e a posterior associação das imagens com organismos vivos.
Como funciona a fotografia Kirlian?
O princípio pode parecer complicado, mas é relativamente fácil de entender.
Em uma configuração tradicional, o objeto é colocado sobre ou próximo de uma superfície fotossensível, associada a um eletrodo. Uma fonte de alta tensão produz um campo elétrico entre o objeto e o sistema de registro.
Quando as condições são adequadas, o campo elétrico provoca a ionização dos gases presentes ao redor da superfície.
Essa ionização produz uma descarga de corona, acompanhada pela emissão de luz.
A superfície fotográfica registra esse fenômeno.
O resultado é uma imagem em que o objeto aparece acompanhado por uma estrutura luminosa.
O que é uma descarga de corona?
A descarga de corona é um fenômeno elétrico que ocorre quando um campo elétrico intenso provoca ionização localizada de um gás, como o ar.
Essa ionização pode produzir uma luminosidade visível.
É o mesmo princípio físico geral que explica vários fenômenos de descarga elétrica observados em equipamentos de alta tensão.
Na fotografia Kirlian, o objetivo é registrar visualmente essa descarga.
Portanto:
campo elétrico → ionização do gás → descarga de corona → emissão de luz → registro da imagem.
Essa relação é fundamental para compreender por que a fotografia Kirlian produz aqueles halos aparentemente misteriosos.
Por que a fotografia Kirlian parece mostrar uma aura?
O aspecto das imagens é uma das principais razões para a associação entre fotografia Kirlian e aura.
Quando uma mão é submetida ao processo, por exemplo, a descarga tende a acompanhar seu contorno. Pequenos filamentos luminosos podem se projetar para fora dos dedos, criando uma aparência semelhante à representação tradicional de um campo energético.
O problema surge quando essa aparência visual é interpretada automaticamente como evidência de uma aura.
Uma imagem pode representar fielmente um fenômeno físico e, ainda assim, a interpretação atribuída a ela estar errada.
A descarga de corona depende de propriedades físicas do sistema. Entre os fatores que podem modificar a imagem estão umidade, condutividade, características da superfície e parâmetros elétricos.
Um estudo publicado em Science concluiu que as imagens produzidas pela técnica são principalmente registros da atividade de corona durante a exposição e demonstrou que a umidade pode provocar grandes alterações na densidade, nos trajetos das descargas e na coloração das imagens.
Isso ajuda a explicar por que duas fotografias Kirlian do mesmo tipo de objeto podem apresentar resultados diferentes.
Fotografia Kirlian fotografa a aura?
Não há evidência científica suficiente para afirmar que a fotografia Kirlian fotografa uma aura humana ou um campo energético vital.
Essa distinção é essencial.
A técnica registra uma descarga elétrica real. O que permanece sem comprovação científica é a interpretação de que essa descarga seja uma representação visual de uma aura, consciência, energia vital ou estado espiritual.
A literatura científica sobre o tema também não encontrou evidência satisfatória de que os padrões de corona ao redor dos dedos revelem de maneira confiável a saúde física, o estado mental ou influências psíquicas.
Isso não significa que as fotografias sejam falsas.
Significa algo mais específico:
o fenômeno fotografado é real, mas a interpretação paranormal não foi demonstrada.
Essa diferença é importante não apenas para a fotografia Kirlian, mas para qualquer imagem utilizada como suposta evidência de um fenômeno que não pode ser diretamente observado.
O que influencia uma fotografia Kirlian?
Um dos aspectos mais interessantes da técnica é justamente a quantidade de variáveis que podem modificar o resultado.
Entre elas estão:
- umidade da superfície;
- quantidade de água presente no objeto;
- condutividade elétrica;
- composição do material;
- formato da superfície;
- pressão exercida sobre a placa;
- distância entre componentes;
- tensão aplicada;
- frequência do sistema;
- características do filme ou sensor;
- temperatura;
- condições do ar;
- tempo de exposição.
A umidade merece atenção especial.
Pesquisas experimentais mostraram que a presença de umidade na superfície ou no interior de um objeto pode alterar significativamente o padrão da descarga de corona e, consequentemente, a aparência da fotografia.
Isso também ajuda a explicar por que organismos vivos podem produzir imagens especialmente variáveis.
O corpo humano contém água e apresenta propriedades elétricas que mudam de acordo com diferentes condições.
Portanto, uma mudança no halo não significa necessariamente uma mudança em uma suposta “energia vital”.
Ela pode simplesmente refletir uma mudança física nas condições da descarga.
O que é o efeito da folha fantasma?
Um dos episódios mais famosos relacionados à fotografia Kirlian é o chamado efeito da folha fantasma ou phantom leaf effect.
A ideia é aparentemente extraordinária.
Uma folha é fotografada. Depois, uma parte dela é cortada e retirada. Em algumas imagens atribuídas ao fenômeno, a fotografia posterior parece mostrar também o contorno da parte que já não está presente.
A imagem parece sugerir que a folha manteria algum tipo de “impressão energética” depois de ser fisicamente cortada.
Foi justamente esse tipo de imagem que ajudou a alimentar a interpretação de que a fotografia Kirlian poderia registrar um campo energético independente da matéria.
Mas a questão é muito mais complicada.

A folha fantasma prova a existência de uma aura?
Não.
O chamado efeito da folha fantasma não constitui demonstração científica de uma aura ou de um campo energético vital.
A formação de imagens Kirlian é influenciada por fatores físicos e experimentais, incluindo umidade, resíduos, contato, características da superfície e condições da descarga.
Além disso, relatos históricos sobre o fenômeno apresentaram resultados difíceis de reproduzir de maneira consistente.
Por isso, a imagem de uma suposta folha fantasma deve ser tratada como um fenômeno experimental controverso, e não como prova de uma estrutura invisível da planta.
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Por que a “folha fantasma” é tão importante na história da fotografia Kirlian?
Mesmo sem comprovar uma aura, o episódio é importante porque mostra como uma imagem fotográfica pode adquirir um significado muito maior do que aquilo que o processo físico necessariamente demonstra.
A fotografia possui uma característica poderosa: ela frequentemente é percebida como uma espécie de testemunha objetiva.
Se algo aparece em uma fotografia, existe uma tendência natural a pensar:
“Então aquilo estava realmente ali.”
Mas a fotografia não registra necessariamente a interpretação que fazemos daquilo que aparece.
Ela registra a interação entre:
objeto + luz ou radiação + sistema óptico ou elétrico + superfície de registro + condições de captura.
No caso da fotografia Kirlian, essa cadeia é especialmente complexa.
O fenômeno físico é real.
A interpretação da imagem precisa ser investigada separadamente.
Fotografia Kirlian e ciência: o que sabemos?
A explicação física básica da fotografia Kirlian é bem estabelecida: trata-se de um fenômeno relacionado à descarga de corona.
O ponto controverso está em algumas interpretações que foram associadas às imagens.
Durante décadas, foram feitas afirmações de que as imagens poderiam revelar:
- estado de saúde;
- emoções;
- energia vital;
- aura;
- doenças antes de seus sintomas;
- características psicológicas;
- estados espirituais.
Essas afirmações não devem ser apresentadas como fatos científicos estabelecidos.
Um estudo histórico publicado em Science mostrou que a umidade pode explicar grande parte da variação observada nas imagens de indivíduos vivos.
Outro trabalho sobre a técnica destacou a baixa reprodutibilidade do fenômeno e a ausência de evidência satisfatória de que as coroas ao redor dos dedos revelem saúde física ou mental ou influências psíquicas.
Assim, é possível separar o tema em duas camadas:
Fenômeno físico: descarga de corona registrada visualmente.
Interpretação paranormal: hipótese de que a imagem represente uma aura ou energia vital.
A primeira possui explicação física conhecida. A segunda não possui comprovação científica suficiente.
A fotografia Kirlian pode diagnosticar doenças?
Não deve ser considerada um método médico comprovado para diagnóstico de doenças.
A técnica já foi utilizada e investigada em diferentes contextos, inclusive em pesquisas que procuravam relacionar padrões de descarga a características de materiais ou organismos.
Isso, porém, não significa que uma fotografia Kirlian possa substituir métodos médicos de diagnóstico.
A aparência de um halo ao redor de um dedo não permite, por si só, concluir que uma pessoa esteja saudável, doente, emocionalmente equilibrada ou apresentando alguma condição específica.
Essa distinção é especialmente importante porque algumas interpretações históricas da técnica extrapolaram o que os experimentos permitiam afirmar.

A fotografia Kirlian é uma fotografia convencional?
Não exatamente.
Na fotografia convencional, uma câmera utiliza um sistema óptico para formar uma imagem a partir da luz proveniente de uma cena.
Na fotografia Kirlian tradicional, a formação da imagem depende diretamente de um campo elétrico e de uma descarga de corona.
Por isso, a técnica pode ser entendida como uma forma de eletrofotografia ou fotografia por descarga elétrica.
A ausência de uma câmera convencional também é uma das características históricas mais curiosas do processo.
Em configurações clássicas, o sistema pode produzir uma imagem diretamente sobre uma superfície fotossensível por meio da descarga elétrica, sem que uma lente convencional precise formar a imagem.
Qual é a diferença entre fotografia Kirlian e fotografia convencional?
| Característica | Fotografia Kirlian | Fotografia convencional |
|---|---|---|
| Fenômeno registrado | Descarga de corona | Luz da cena |
| Sistema óptico | Pode não utilizar lente | Normalmente utiliza lente |
| Fonte da imagem | Campo elétrico e ionização | Luz refletida ou emitida |
| Registro | Filme, papel ou sistemas digitais | Sensor ou filme |
| Resultado | Halos e filamentos luminosos | Representação visual da cena |
| Principais variáveis | Eletricidade, umidade, condutividade e superfície | Luz, exposição, lente, sensor/filme |
| Uso artístico | Fotografia experimental | Ampla variedade |
| Interpretação | Frequentemente associada à aura | Geralmente documental, artística ou representacional |
A fotografia Kirlian ainda é utilizada?
Sim, embora sua utilização contemporânea seja muito diferente daquela associada à popularização do fenômeno.
A técnica continua despertando interesse em:
- fotografia experimental;
- arte;
- pesquisa de descargas elétricas;
- visualização de propriedades de superfície;
- experimentos com materiais;
- investigação histórica da fotografia;
- estudos relacionados à eletrofotografia.
Também existem sistemas digitais derivados ou inspirados na técnica clássica.
É importante, porém, não confundir a existência de pesquisas ou aplicações experimentais com comprovação de alegações sobre aura ou diagnóstico energético.
Fotografia Kirlian como linguagem artística
É justamente aqui que a técnica pode ser especialmente interessante para fotógrafos.
A fotografia Kirlian transforma um fenômeno elétrico normalmente invisível em uma imagem.
O resultado possui:
- linhas;
- texturas;
- halos;
- padrões radiais;
- contraste;
- cores;
- estruturas abstratas;
- formas orgânicas.
Isso aproxima a técnica da fotografia experimental e da arte abstrata.
Uma folha deixa de ser apenas uma folha.
Uma mão deixa de ser apenas uma mão.
Uma moeda pode se transformar em um desenho luminoso.
A fotografia passa a revelar não necessariamente uma nova aparência do objeto, mas uma nova maneira de representar sua interação com um fenômeno físico.
Essa é uma das razões pelas quais a fotografia Kirlian continua relevante mesmo quando deixamos de lado as interpretações paranormais.
O que torna uma fotografia Kirlian visualmente interessante?
A estética depende da interação entre o objeto e o sistema elétrico.
Pequenas alterações podem produzir diferenças perceptíveis no resultado.
A imagem pode apresentar:
- filamentos finos;
- áreas densas;
- explosões luminosas;
- linhas ramificadas;
- halos circulares;
- padrões irregulares;
- diferenças de intensidade;
- colorações variadas.
Essas características tornam a técnica especialmente interessante para quem trabalha com fotografia abstrata, experimental e conceitual.
Em vez de perguntar apenas “o que foi fotografado?”, podemos perguntar:
“Qual fenômeno foi transformado em imagem?”
Essa mudança de perspectiva é talvez uma das contribuições mais interessantes da fotografia Kirlian para a linguagem fotográfica.
Fotografia Kirlian é ciência, arte ou pseudociência?
A resposta depende do que estamos chamando de fotografia Kirlian.
Como fenômeno físico e técnica de eletrofotografia, ela possui fundamento físico.
Como linguagem artística, pode ser utilizada legitimamente para criar imagens experimentais.
Já determinadas interpretações de que as imagens revelariam a aura, doenças ou estados psíquicos pertencem a outro campo e não devem ser apresentadas como conclusões científicas estabelecidas.
Portanto, é perfeitamente possível apreciar uma fotografia Kirlian como arte sem aceitar interpretações místicas sobre aquilo que ela representa.
Essa distinção permite aproveitar o aspecto visual e histórico da técnica sem confundir estética com evidência científica.
Entendendo a Medição e os Modos de Medição: Este artigo explica como equilibrar a exposição utilizando os diferentes modos de medição de luz.
O verdadeiro interesse da fotografia Kirlian
Talvez a parte mais interessante da fotografia Kirlian esteja justamente naquilo que ela ensina sobre a própria fotografia.
Fotografar não significa simplesmente registrar “a realidade”.
Todo processo fotográfico envolve uma cadeia de transformações.
Na fotografia convencional:
luz → lente → abertura → obturador → sensor/filme → imagem.
Na fotografia Kirlian:
campo elétrico → ionização → descarga de corona → emissão luminosa → superfície fotossensível → imagem.
Em ambos os casos, a fotografia é uma forma de transformar um fenômeno físico em representação visual.
Essa perspectiva coloca a fotografia Kirlian em uma posição curiosa dentro da história da imagem: ela não apenas registra objetos, mas torna visual um fenômeno que normalmente não conseguimos observar diretamente.
Fotografia Kirlian e fotografia experimental
A técnica também pode ser compreendida dentro de uma tradição maior de experiências fotográficas que ultrapassam a função documental da câmera.
Ao longo da história, fotógrafos e pesquisadores desenvolveram maneiras de registrar fenômenos que não eram perceptíveis diretamente pelo olhar humano.
A fotografia Kirlian participa dessa história porque transforma eletricidade e descarga de corona em linguagem visual.
Ela dialoga, portanto, com temas como:
- fotografia científica;
- fotografia experimental;
- abstração;
- visualização de fenômenos invisíveis;
- arte tecnológica;
- história da fotografia;
- relação entre ciência e imagem.
Essa conexão amplia o significado da técnica para além da conhecida discussão sobre “aura”.
É seguro fazer fotografia Kirlian em casa?
Não é recomendável improvisar um equipamento de fotografia Kirlian com fontes de alta tensão.
A técnica envolve eletricidade em condições potencialmente perigosas. Mesmo sistemas descritos como de baixa corrente podem utilizar tensões suficientemente altas para causar choques, queimaduras e outros acidentes.
O risco não desaparece simplesmente porque a corrente utilizada é relativamente baixa.
Por isso, experiências com alta tensão devem ser realizadas apenas com equipamentos apropriados, isolamento adequado, procedimentos de segurança e conhecimento técnico.
Para fins educativos ou artísticos, é preferível utilizar equipamentos especificamente projetados para esse tipo de experimentação, em vez de montar circuitos improvisados.

O que a fotografia Kirlian realmente registra?
A resposta pode ser resumida em quatro pontos:
1. A técnica registra uma descarga elétrica.
A fotografia Kirlian utiliza um campo elétrico intenso para produzir uma descarga de corona.
2. A descarga produz luz.
A ionização do gás ao redor do objeto gera emissões luminosas que podem ser registradas.
3. O padrão depende de diversas condições físicas.
Umidade, condutividade, superfície, pressão de contato e parâmetros elétricos podem modificar a aparência da imagem.
4. Não há comprovação de que o halo seja uma fotografia da aura.
A interpretação de que a descarga represente um campo energético vital não é uma conclusão científica estabelecida.
Mitos e confusões sobre fotografia Kirlian
Fotografia Kirlian fotografa a alma?
Não há evidência científica de que a técnica registre a alma.
O halo é uma aura humana?
Não segundo a explicação física aceita. O halo corresponde à descarga de corona e é influenciado por fatores físicos, incluindo umidade e condutividade.
Somente seres vivos produzem imagens Kirlian?
Não. Objetos não vivos também podem produzir descargas de corona e imagens Kirlian. Esse é um dos motivos pelos quais não se pode atribuir automaticamente o halo a uma “energia vital”.
Uma fotografia Kirlian pode detectar doenças?
Não existe base suficiente para tratá-la como método médico diagnóstico.
O fenômeno Kirlian é falso?
Não. A descarga de corona é um fenômeno físico real. O que é controverso são algumas interpretações atribuídas às imagens.
As imagens são manipuladas?
Não necessariamente. Uma fotografia pode ser perfeitamente autêntica e ainda assim ser interpretada de maneira equivocada.
Essa última distinção é fundamental.
Perguntas frequentes sobre fotografia Kirlian
O que é fotografia Kirlian?
É uma técnica de eletrofotografia que registra visualmente descargas de corona produzidas por um campo elétrico de alta tensão.
Quem inventou a fotografia Kirlian?
A técnica é associada ao casal soviético Semyon e Valentina Kirlian, que começou a desenvolvê-la em 1939.
Fotografia Kirlian fotografa a aura?
Não existe comprovação científica suficiente para afirmar que as imagens sejam registros de uma aura ou de um campo energético vital.
Por que aparece um brilho ao redor dos objetos?
O brilho é produzido pela descarga de corona, resultado da ionização do gás ao redor do objeto submetido ao campo elétrico.
Por que algumas fotografias Kirlian são coloridas?
A aparência das cores pode depender do processo de registro e das características da descarga. Em sistemas fotográficos coloridos, a interação da descarga com a emulsão pode produzir diferentes cores.
O que é a folha fantasma?
É o nome dado a imagens Kirlian nas quais uma folha parcialmente cortada parece apresentar na fotografia o contorno da parte removida. O fenômeno é controverso e não constitui prova de uma aura.
A fotografia Kirlian ainda é usada?
Sim. A técnica continua sendo explorada em contextos experimentais, artísticos e de investigação de fenômenos elétricos, embora as antigas alegações sobre aura e diagnóstico não sejam estabelecidas cientificamente.
Posso fazer fotografia Kirlian com uma câmera comum?
A técnica clássica não depende de uma câmera convencional para formar a imagem. Ela utiliza uma configuração elétrica e uma superfície fotossensível. Sistemas modernos podem incorporar câmeras digitais, mas o princípio físico continua relacionado à descarga de corona.
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Conclusão
A fotografia Kirlian ocupa um lugar singular na história da fotografia porque transforma um fenômeno elétrico invisível em uma imagem visualmente impressionante.
Criada e desenvolvida por Semyon e Valentina Kirlian a partir de 1939, a técnica tornou-se conhecida por suas imagens de mãos, folhas e objetos cercados por filamentos luminosos.
A aparência dessas imagens levou muitas pessoas a interpretá-las como fotografias da aura.
A ciência, porém, oferece outra explicação: as imagens estão relacionadas principalmente à descarga de corona, e sua aparência pode ser fortemente influenciada por fatores físicos como umidade, condutividade e condições da exposição.
Isso não diminui necessariamente seu valor.
Pelo contrário.
A fotografia Kirlian mostra que a fotografia pode fazer muito mais do que reproduzir aquilo que já enxergamos. Ela pode transformar eletricidade, matéria, umidade e fenômenos invisíveis em linguagem visual.
E talvez seja justamente aí que esteja seu maior fascínio: não em provar que existe uma aura, mas em mostrar como um fenômeno físico pode se transformar em uma imagem que desafia nosso modo habitual de olhar.
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Quer conversar sobre fotografia?
Se você ficou com alguma dúvida sobre a fotografia Kirlian, encontrou alguma informação interessante ou já experimentou técnicas de fotografia experimental, conte para a gente nos comentários. Adoramos trocar ideias com outros fotógrafos e curiosos por imagem.


Assunto muito interessante e importante, pode fazer uma ponte entre a ciência e a religião (espiritualidade).
Fico imaginando quando puder captar as micro particulas do atomo e energias rarefeitas que se inter relacionam, principalmente quando há inserção de forças cósmicas e Divinas.
Vale a pena aprofundar, será que há pesquisas a respeito ?
Grato.
gostaria de aprender sobre isso
sou medico