História da Fotografia

por | fev 21, 2020 | Dicas de Fotografia, Fotografia, Fotografia Autoral

A História da Fotografia evoluiu muito rápido, em menos de 200 anos a câmera passou de uma simples caixa que tirava fotos borradas para os mini computadores de alta tecnologia encontrados nas DSLRs e smartphones de hoje.

A história da fotografia é fascinante e é possível escrever muitos detalhes e histórias sobre ela. No entanto, neste artigo faremos um breve resumo e destacaremos os acontecimentos principais desta maravilhosa história.

AS PRIMEIRAS CÂMERAS

O conceito básico de fotografia existe desde o século V a.C. Mas foi quando um cientista iraquiano desenvolveu algo chamado câmera escura, no século XI, que a arte nasceu de fato.

Mesmo assim, a câmera escura não gravou imagens, simplesmente as projetou em outra superfície. As imagens também estavam de cabeça para baixo, mas foram muito utilizadas na criação de desenhos e pinturas por permitir uma cópia perfeita de objetos reais, como edifícios.

A primeira câmera escura usou um orifício em uma barraca para projetar uma imagem de fora da barraca para dentro da barraca em uma área escura.

Somente no século XVII a câmera escura se tornou pequena o suficiente para ser portátil. Lentes básicas para focalizar também foram introduzidas nessa época.

AS PRIMEIRAS IMAGENS PERMANENTES

A fotografia, como a conhecemos hoje, começou no final da década de 1830, na França. Joseph Nicéphore Niépce usou uma câmera portátil escura para expor uma placa de estanho revestida com betume à luz. Foi então que surgiu a primeira imagem gravada e, o melhor, ela não desapareceu rapidamente.

O sucesso de Niépce levou a uma série de outras experiências e a fotografia progrediu muito rapidamente.

No final do século XIX, daguerreótipos, placas de emulsão e placas úmidas foram desenvolvidos quase que simultaneamente.

Com cada tipo de emulsão, os fotógrafos experimentaram diferentes produtos químicos e técnicas.

A seguir, as três técnicas que foram fundamentais para o desenvolvimento da fotografia moderna.

DAGUERREÓTIPO

O experimento de Niépce o levou a uma parceria com Louis Daguerre. O resultado foi a criação do daguerreótipo, precursor do cinema moderno.

• Uma placa de cobre foi revestida com prata e exposta ao vapor de iodo antes de ser exposta à luz.

• Para criar a imagem no prato, os daguerreótipos iniciais tiveram que ser expostos à luz por até 15 minutos.

• O daguerreótipo era muito popular até ser substituído no final da década de 1850 por placas de emulsão.

PLACAS DE EMULSÃO

As placas de emulsão, ou placas úmidas, eram menos caras que os daguerreótipos e exigiam apenas dois ou três segundos de tempo de exposição. Isso as tornou muito mais adequadas para fotografias de retratos, que era o uso mais comum da fotografia na época. Muitas fotografias da Guerra Civil foram produzidas em placas de emulsão.

Essas placas úmidas usavam um processo de emulsão chamado de Processo Collodion. Foi durante esse período que os foles foram adicionados às câmeras para ajudar no foco.

Dois tipos comuns de placas de emulsão foram o ambrótipo e o estanho.

Os ambrótipos usavam uma placa de vidro em vez da placa de cobre dos daguerreótipos.

Os tipos de estanho usavam uma placa de estanho.

Embora essas placas fossem muito mais sensíveis à luz, elas precisavam ser desenvolvidas rapidamente. Os fotógrafos precisavam ter química à mão e muitos viajavam em vagões que serviam de câmara escura.

PLACAS DE GELATINA

Na década de 1870, a fotografia deu outro grande salto à frente. Richard Maddox aprimorou uma invenção anterior para fabricar placas de gelatina seca quase iguais às placas úmidas em velocidade e qualidade.

Essas placas secas podíam ser armazenadas em vez de fabricadas conforme necessário. Isso permitiu aos fotógrafos muito mais liberdade para tirar fotografias. O processo também permitiu câmeras menores que poderiam ser portadas. Como o tempo de exposição diminuiu, a primeira câmera com obturador mecânico foi desenvolvida.

CÂMERAS PARA TODOS

A fotografia era apenas para profissionais e pessoas muito ricas, até que George Eastman abriu uma empresa chamada Kodak na década de 1880.

Eastman criou um filme em rolo flexível que não exigia a troca constante das chapas sólidas. Isso permitiu que ele desenvolvesse uma câmera autônoma que continha 100 exposições de filmes. A câmera tinha uma pequena lente única sem ajuste de foco.

O consumidor tirava fotos e enviava a câmera de volta à fábrica para o filme ser revelado e as impressões feitas, como acontece ainda hoje com as câmeras descartáveis modernas. Esta foi a primeira câmera barata o suficiente para uma pessoa comum.

O filme ainda era grande em comparação com o filme 35mm de hoje.

OS HORRORES DA GUERRA

Por volta de 1930, Henri-Cartier Bresson e outros fotógrafos começaram a usar pequenas câmeras 35 mm para capturar imagens espontâneas, em vez de retratos posados. Quando a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, muitos fotojornalistas adotaram esse estilo.

Os retratos de soldados da Primeira Guerra Mundial deram lugar a imagens reais da guerra e suas consequências. Imagens como a fotografia de Joel Rosenthal, Raising the Flag on Iwo Jima mostraram a realidade da guerra. Esse estilo de capturar momentos decisivos moldou o rosto da fotografia para sempre.

A MARAVILHA DAS IMAGENS INSTANTÂNEAS

Ao mesmo tempo em que as câmeras 35 mm estavam se tornando populares, a Polaroid introduziu no mercado a câmera Modelo 95. A câmera Modelo 95 usou um processo químico secreto para revelar filmes dentro da câmera em menos de um minuto.

Essa nova câmera era bastante cara, mas a novidade de imagens instantâneas chamou a atenção do público. Em meados da década de 1960, a Polaroid tinha muitos modelos no mercado e o preço havia caído para que mais pessoas pudessem pagar.

Em 2008, a Polaroid parou de fazer seu famoso filme instantâneo e levou seus segredos com ela. Muitos grupos como The Impossible Project e Lomography tentaram reviver filmes instantâneos, mas com sucesso limitado. Até hoje continua sendo difícil replicar a qualidade encontrada em uma Polaroid.

CONTROLE AVANÇADO DE IMAGEM

Enquanto os franceses introduziram a imagem permanente, os japoneses trouxeram um controle de imagem mais fácil ao fotógrafo.

Na década de 1950, a Asahi (que mais tarde se tornou Pentax) introduziu o Asahiflex e a Nikon apresentou sua câmera Nikon F. As câmeras eram do tipo SLR e a Nikon F permitia lentes intercambiáveis e outros acessórios.

Nos 30 anos seguintes, as câmeras no estilo SLR permaneceram como a câmera de escolha da maioria dos fotógrafos. Muitas melhorias foram introduzidas nas câmeras e no próprio filme.

APRESENTANDO CÂMERAS INTELIGENTES

No final da década de 1970 e no início da década de 1980, foram introduzidas câmeras compactas capazes de tomar decisões de controle de imagem por conta própria. Essas câmeras “point and shoot” calculavam a velocidade do obturador, a abertura e o foco, deixando os fotógrafos livres para se concentrarem na composição.

As câmeras automáticas se tornaram imensamente populares entre os fotógrafos casuais. Profissionais e amadores sérios continuaram preferindo fazer seus próprios ajustes e continuaram desfrutando do controle de imagem disponível nas câmeras SLR.

A ERA DIGITAL

Nas décadas de 1980 e 1990, vários fabricantes trabalharam em câmeras que armazenavam imagens eletronicamente. A primeira delas foram câmeras point and shoot que usavam mídia digital em vez de filme.

Em 1991, a Kodak havia produzido a primeira câmera digital avançada o suficiente para ser usada com sucesso por profissionais. Outros fabricantes a seguiram rapidamente e hoje a Canon, Nikon, Pentax e outros fabricantes oferecem câmeras digitais avançadas SLR (DSLR).

Agora, até a câmera mais básica point and shoot captura imagens de qualidade superior à da placa de estanho de Niépce, e os smartphones podem facilmente tirar uma fotografia impressa de alta qualidade.

LINHA DO TEMPO

Século V a.C.: o chinês Mo Tzu estuda os princípios óticos da fotografia.

384 – 322 a.C.: Aristóteles escreve sobre a câmera escura.

Século XIV: artistas utilizam a câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura.

1520: Leonardo da Vinci (1452-1519) faz uma descrição da câmara escura, afirmando que “A imagem de um objeto iluminado pelo sol penetra em um compartimento escuro através de um orifício. Se for colocado um papel branco do lado de dentro do compartimento a determinada distância do orifício, se verá sobre o papel a imagem com suas próprias cores, porém, invertida, devido à interseção dos raios solares”.

1550: buscando aperfeiçoar a qualidade da imagem, os artistas diminuíram o tamanho do furo, mas acabaram escurecendo a imagem, tornando quase impossível a sua identificação. Foi descoberto então que quanto maior o furo, mais clara a imagem, porém menor será a nitidez. Em 1550, o físico milanês Girolamo Cardano resolveu este problema utilizando uma lente biconvexa junto ao furo, permitindo aumentá-lo sem perder nitidez. 

historia da fotografia imagem lentes furo e nitidez

1568: foi percebido pelos artistas que não era possível obter nitidez de imagem quando dois objetos ou mais eram captados pelo visor em diferentes distâncias da lente. Mas, o

veneziano Danielo Barbaro, em 1568, descobriu que, ao variar o tamanho do furo era possível melhorar a nitidez da imagem. Assim, mais um aperfeiçoamento surgiu com a instalação de um sistema junto à lente que permitia aumentar e diminuir o furo. Este foi o primeiro diafragma. Quanto mais fechado o furo, maior era a possibilidade de focalizar dois objetos em distâncias diferentes da lente.

historia da fotografia imagem formada pela letne biconvexa

1573: o astrônomo e matemático florentino Egnatio Danti sugere outro aprimoramento que foi a utilização de um espelho côncavo para reinverter a imagem.

1580: Friedrich Risner descreve uma câmara escura portátil.

1636: o professor de matemática Daniel Schwenter descreve um elaborado sistema de lentes que combinava três distâncias focais diferentes.

1676: Johann Christoph Sturm descreve e ilustra uma câmara escura que utilizava interiormente um espelho a 45 graus que refletia a luz vinda da lente para um pergaminho azeitado colocado horizontalmente e uma carapuça de pano preto exterior funcionando como um para-sol para melhorar a qualidade da visualização da imagem, facilitando, assim, o desenho nas câmeras portáteis.

1765: Antônio Canaletto utiliza uma câmara escura dotada de um sistema de lentes intercambiáveis como meio auxiliar de desenhos de vistas panorâmicas.

1604: no referido ano, já havia condições de formar uma imagem satisfatoriamente controlável na câmera escura, mas gravar essa imagem diretamente sobre o papel, sem intermédio do desenhista, foi a nova meta, alcançada apenas a partir do desenvolvimento da química. O cientista italiano Ângelo Sala, observa que certo composto de prata ficava escuro quando exposto ao sol, acreditando que o calor era o maior responsável. Anos antes, o alquimista Fabrício tinha feito as mesmas observações com o cloreto de prata.

1727: o professor Johann Heirich Schulze percebeu que um vidro com ácido nítrico, prata e gesso escurecia quando submetido à luz natural da janela. Ele demonstrou que os cristais de prata ao receberem luz e não o calor, como acreditava, se transformavam em prata metálica negra. Atualmente, Shulze, é considerado o pai da fotoquímica.

1826: Joseph Nicéphore Niépce, considerado hoje como o principal inventor da fotografia, cobriu uma placa de estanho com betume. Ao expor uma dessas placas por um tempo aproximado de oito horas na sua câmera escura, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa. Apesar desta imagem não conter meios tons, é considerada como “a primeira fotografia permanente do mundo”. Esse processo foi batizado por Niépce como Heliografia, gravura com a luz solar.

historia da fotografia primeira fotografia

A primeira fotografia da história, feita por Niépce, Saint-Loup-de-Varennes, França, 1826

1839: Daguerre produziu a primeira fotografia conhecida de um ser humano.

1839: William Henry Fox Talbot aperfeiçoou o processo da fotografia com sua invenção dos calotipos ou negativos da fotografia.

1851: o processo conhecido como chapa molhada reduziu o tempo de exposição para segundos e produziu impressões quase tão exatas quanto as de Daguerre.

1858: a fotografia instantânea substituiu o daguerreotipo.

1880: as câmaras portáteis de mão e o filme em rolo dominam a cena.

1960: Kodak lança vários modelos de câmeras instantâneas.

1980: As câmeras analógicas compactas “point and shoot” caem no gosto popular.

1990: As câmeras digitais compactas “point and shoot” dominam a cena.

1991: As DSLRs chegam ao mercado e ganham espaço entre os fotógrafos profissionais.

Bem, esperamos que você tenha aprendido um pouco sobre a maravilhosa História da Fotografia.

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Um abraço do casal e até breve!

Referências:

  • Wikipédia
  • Pierre-Jean Mar – História da Fotografia

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O Casal

O Casal

Ela é de Brasília. Ele, de Belo Horizonte. Ela tem formação artística baseada em pintura e literatura. Ele já foi criado na música e no cinema. Ela gosta de MPB. Ele gosta de Jazz. Mas foi na fotografia que ambos se encontraram.

Especialistas em docência fotográfica, colecionam 14 anos de experiência em ensino artístico. Juntos são O Casal da Foto, uma dupla inseparável, ávidos por ensinar tudo o que aprenderam ao longo de suas carreiras e transformar a forma de se lecionar e aprender fotografia.